sexta-feira, 6 de abril de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Amor filho da puta
Se você fala eu me excito
Se você cala eu me molho
Se você franze a testa desdenha da minha existência
Sou toda sua.
Minto, não sou toda sua, porque não sou inteira.
Faltam-me partes n’alma.
E se o seu órgão ereto vem a me completar,
Enlouqueço
Aqueço
Queimo
Gemo
Tremo
Morro
Acabo
Falto novamente
Minto
Nunca faltei
Ao meu corpo nada falta,
Você não me completa,
Mas me excede
Já minh'alma, foi amputada pelo amor
Amor filho da puta
Finge que vai curar minha alma
E se põe a gargalhar da minha incompletude
O sexo só é de verdade
Quando o amor deixa
sexta-feira, 23 de março de 2012
das mentiras imprescindíveis
— Quero te comer.
Isso era o máximo de palavras nas preliminares, o que você considerava o abre-te-sésamo do meu tesão. Eu virava o pescoço estudadamente e olhava com aquele olhar blasé como quem diz te conheço?, mas você não parecia entender — nem o olhar, nem a minha recusa em dar. Porque, combinemos, dar é muito bom, é muito saudável, é salutar, a pele fica boa... o cabelo fica uma desgraça, mas tudo vale a pena por uma boa trepada. E ainda que eu tivesse assim uma loucura inexplicável por você, ainda que eu quase sempre dispensasse o 2-8-2 das preliminares de manual, ainda assim, meu caro, mulher gosta de ter o passe valorizado, é preciso que você saiba disso, é preciso que aprenda — e eu te digo isso agora, tarde assim da noite, quando nem mais tenho notíciais de você, porque ficou uma certa consideração, como um tributo tardio à nossa história. E estou bebendo saquê desde as 8 da noite, só para constar.
Que eu tenho consciência de que não é todo dia que aparece um cara capaz de foder e gozar cinco vezes num intervalo de 6 horas, eu sei, minhas amigas sabem, até minha mãe já havia me contado isso, mas esse detalhe não faz de você um deus (bem, talvez faça, eu admito que sim, um pouco, talvez você seja um deus com super poderes —ou super potência), só faz de você um cara capaz de fazer uma mulher gozar como nenhum outro, nem antes nem depois. Urrar, meu bem, agora eu sei como é, como também sabem os meus vizinhos, o zelador, a menina que passava pela rua todo dia, mesmo horário, a caminho de casa. Porque isso você fez bem, me ensinou a urrar. E, já que estou assim tão confessional, talvez por causa desse saquê destravador de pensamento, vou contar que nunca antes, nem depois, amei um pau como amei o seu.
Porém, meu caro, mesmo você portando esse pau de ouro, mesmo eu sabendo que iria urrar se você o enfiasse em mim, ainda assim eu espero mais do que um quero te comer de um cara a quem estou querendo amar. Porque de vez em quando até dá pra brincar de selvagem e pular no colo à simples menção de um quero te comer dito apropriadamente, com a dose certa de macheza, a coisa meio rouca, meio imperativa, meio sussurrada, tudo ao mesmo tempo dito no ouvido enquanto a mão trabalha o 8 com a pressão devida. E é preciso admitir que um quero te comer dito com força, quando estou de bruços e você vem por cima , ah!, dá um tesão incrível, desperta o bicho — que não há que se esperar delicadeza num momento crucial como esse na vida. Mas nos outros 336 dias do ano, quando falar com uma mulher que você quer comer, mesmo que seja muito, ainda que seja urgente, faça um favor, querido: minta. Diga que ela é especial, diga que o cheiro dela é excepcional, diga que ela tem a melhor boca que você já beijou, o melhor gosto que você já sentiu. Isso, meu bem, apenas isso, quando você aprender, vai tornar você um homem, vai transformar você em alguém digno de se sentir saudade.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Amor custa caro

[ Diálogo do antes]
-Nossa, você é linda.- Obrigada!
- Tem um rosto tão meigo, por que tá nessa vida?
- Escuta, você veio aqui pra foder, né não? ou veio pagar pra ser meu psicólogo?
-desculpa
-tudo bem, são R$300,00, trouxe a grana né?
- sim
[Sem diálogos no durante. Ela tirou-lhe a calça e o chupou como já era de costume, não sentia nada, ele gemia, tirou sua roupa justa e sentiu uma leve satisfação ao vê-lo devorar-lhe com os olhos, sentiu-se gostosa, deitou na cama, empinou a bunda na esperança de que ele logo a comesse, sem preliminares, até porque eles nunca sabiam fazer certo mesmo e a deprimia. Talvez ele até quisesse chupá-la, mas ao ver sua bunda empinada não resistiu e entre uma socada e outra chegou ao orgasmo, pra ela, trivial, coisa do dia a dia, se não configurasse descaso, ela lixaria as unhas nessa hora]
[Diálogo do depois]
-Você é gostosa!
-Sou [puta não pode ser humilde]
-Queria conversar.
- Hum, dai fica R$400,00
-Moça, meu problema não é dinheiro, é coração partido
- Deixa eu ver se adivinho... você gosta de uma mulher, decente, bonita, que é pra casar, mas não dá certo com ela, dai veio aqui pagar uma puta pra se sentir menos sozinho.
- É isso.
- Foda. Sai dessa vida de amor. Isso acaba com a vida da gente, moço.
- E você nunca amou?
- Amei e amei muito, tive momentos assim como o seu, de enlouquecer de amor
-E desistiu de amar?
- Desisti moço, amor te fode e não paga nada em troca. Por isso tô nessa vida.
-E não sente falta do amor?
- Não. Quando tem qualquer vestígio de amor, eu empino a bunda. Funciona.
- Que triste.
- É, é triste. Mas não mais triste que a porra do amor.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Pecado #14: o tapa (parte 2 de 2)
hoje temos a continuação do conto iniciado no dia 2 de março, Pecado #14: o tapa (parte 1 de 2)

continuando...
quinta a noite. lua cheia, brisa boa. eu suando litros e olhando pro mar. conferi o relógio no exato momento em que tocava barafunda, do chico, no ipod. hora de parar. quarenta e três minutos de corrida. no quiosque do cadu pedi um coco. a heleninha, funcionária dele, sempre me atendia com largos sorrisos. cadê o cadu. só amanhã, professor, saiu mais cedo hoje. eu gostava de papear com ele, professor de literatura aposentado, vascaíno, como eu torço pro flamengo, em época de campeonatos, volta e meia o assunto era futebol, quando não, mulheres e livros e política, um cara de bom gosto, descontando a escolha feita no futebol. solange não saía da cabeça. abri o facebook assim que cheguei em casa, tinha mensagem dela, professor, acho que não vou conseguir dormir hoje pensando na noite de amanhã, ainda mais porque não sei pra onde vamos. beijos, chega logo noite de sexta. a última frase acompanhada de um emoticon de sorriso. poderia respondê-la assim que terminei de ler, mas apenas sorri, às nove e vinte da manhã nos veríamos na minha aula. quando entrei ela já estava em sala, papeando alegre com as amigas, seu olhar mudou ao cruzar com o meu. mantive a postura e saudei a turma. no final da aula, dispensou as amigas e veio falar comigo, convidei-a pra almoçar, fora do campus. trocamos telefones, peguei seu endereço e ratificamos o horário do encontro. o mais gostoso do almoço não foi a sobremesa, o petit gateau com a calda de chocolate mais gostosa da cidade, e sim os olhos dela brilhando a cada vez que eu falava. senti o encantamento e isso me contagiava. saí do restaurante excitado. ansioso. aquela tensão entre nós dois mexia comigo e tinha tempos que não era assim. ah, as delícias dos pequenos prazeres. agora era eu quem torcia pra que a noite chegasse logo. mas antes, tinha mais quatro tempos de aula me esperando. na minha cabeça estava tudo planejado. ela estava linda, vestido branco com detalhes dourados, pernas torneadas a mostra, sandália gladiadora de salto, decote generoso e acessórios nos braços e madeixas. linda. quando saiu do prédio fiquei alguns segundos sem conseguir dizer palavra. ela percebeu, mulheres sabem quando impressionam. você está linda. obrigada, professor. professor não, a essa hora e pra onde vamos não vou te dar aula alguma, me chama de andré mesmo. tem certeza que não vai me dar aula, sorriu. apenas sorri de volta, malicioso. existe um restaurante no rio, muito bom, que poucos conhecem. fica no alto da boavista, rumamos pra lá, a especialidade da casa, frutos do mar. depois de ostras, salmão marinado, cheesekake de framboesa, algumas caipirinhas e muitos sorrisos, pedi a conta e fomos prum motel próximo. a noite foi maravilhosa , e vocês leitoras devem estar pensando, tá, mas e os detalhes, já que esse é um blogue de textos eróticos. bem, é que essa noite foi especial por ter sido a primeira, mas geralmente as primeiras noites não entram pra história, pelo menos pra mim. e agora chegamos a nossa terceira foda. sim, a segunda foi muito boa também, se não não chegaríamos a essa. pois bem, ela já tinha se soltado mais no segundo encontro, inclusive nesse dia, no aconchego de depois conversamos sobre taras, fantasias, ménage etc. e ela sempre muito à vontade. mostrando que sexo não era tabu. em nossa terceira noite, ela cavalgava, em uma das posições mais lindas e excitantes que fazíamos, porque ela tinha belas coxas, e pelo espelho do teto eu ficava vendo aquele derrière mágico subindo e descendo numa lasciva dança, se eu olhasse de frente via belos seios acompanhado esse mesmo movimento e solange fazendo caras e bocas e gemendo, puxando meu cabelo, me xingando, arranhando meu peito, mexendo nos seus. até que ela pediu, alucinada, me bate. eu achei que era brincadeira, mas repetiu, bate na minha cara, seu filho da puta. dei um tapa de leve, ela rebolou, bate mais forte, cachorro. aumentei a intensidade. bate caralho, bate. eu estava com medo de machuca-la, só tinha batido em uma mulher até hoje, porque ela me pediu. se contentava com leves tapas, aliás, enfatizava pra ser de leve mesmo, mas solange estava ensandescida, bate, porra, bate. e gritava. fui aumentando a força do meu tapa, e quanto mais forte batia, mais alto ela pedia e sua buceta ficava mais apertada, eram contrações intensas, o rosto dela avermelhado, eu sentia meu pau sendo esmagado e isso começou a me dar mais e mais tesão, as coxas dela encharcadas. me bate mais, mais forte, seu puto. dei um tapa que virou o rosto dela, a boca sangrou. pensei que eu ia brochar, pensei que ela fosse parar e me enfiar a porrada, me xingar não com prazer, mas raiva. que nada. sua buceta contraiu ainda mais e eu senti ela esguichando. ao mesmo tempo em que gritava mais e mais alto, aí eu já não estava entendendo mais nada. entramos em transe. só saí desse estado no exato momento em que senti minha porra indo bem fundo dela. meu peito tinha sangue, meu rosto tinha sangue, ela me beijou com gosto de sangue, o lençol branco manchado. olhei praquele rosto lindo, estava inchado, os dois cantos dos lábios sangravam. ela sorria. arranhava meus ombros ainda em cima de mim, e repetia, você é foda, você é foda, você é foda. sabia desde que bati os olhos em você. filho da puta, filho da puta. eu não estava acostumado com transas nesse nível de tensão, com esse tipo de tara. mas confesso, gostei, e acho que foi um dos meus orgasmos mais intensos.
epílogo
pra quem está curioso sobre o fato de eu ter dito no início da história que ela tinha cara de quem gosta de dar o cu. sim, isso procede. mas essa é uma outra história. até porque, de que ela gostava de dar o cu eu sabia, desde que coloquei os olhos nela.
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